Manifesto das Brasileiras e Brasileiros para a Economia de Francisco e Clara

Confira o Manifesto organizado pelos jovens da Economia de Francisco. Vamos juntos mudar o mundo pra melhor:

“Em 2019, as juventudes do mundo foram chamados pelo Papa Francisco a um encontro
para a construção de uma “economia diferente, que faz viver, inclui, humaniza, alimenta,
cuida”. Um encontro que é chão de partilhas, escutas e compreensão dos diversos sabores
que emergem de nossas lutas e sonhos.


“Sim, é necessário “re-almar” a economia!” – Esta é a resposta das juventudes brasileiras.
Re-almar a partir das periferias, das ações simples, do real, das experiências bem
sucedidas, idealizadas e construídas no seio de nossas comunidades, de norte a sul do
país, de leste a oeste, das montanhas às florestas, das favelas aos pequenos municípios, do
litoral ao sertão, das grandes cidades às pequenas vilas e aldeias, considerando a
multiplicidade de vozes, dons e vivências.


No caminho para a economia humana e ecológica, um passo fundamental é substituir o
egoísmo pela generosidade, a competição pela cooperação, a exploração pela
sustentabilidade e a acumulação pela partilha. A nova economia não subestima a
importância dos bens materiais, mas rejeita o culto ao consumismo.


Cuidado com a Casa Comum é um modo de ser e viver amoroso entre as pessoas e com a
Mãe Terra. Floresce como sonho e se enraíza concretamente na superação das energias
não renováveis, que nos sufocam e esgotam. Se expressa na substituição da economia
baseada em guerras e dominada por interesses financeiros, por novas relações de
produção, circulação e consumo que colocam a vida em primeiro lugar.


Há tempos, o pensamento sobre a economia foi sequestrado pelos interesses do poder
econômico e se perdeu a visão da economia política. É necessário resgatar a Economia
Política e vertê-la para o bem comum.


O patriarcalismo que estruturou a dominação do feminino e erigiu o racismo, assim como
todas as formas de intolerância e preconceito, são incompatíveis com essa nova economia
pela vida.


Queremos somar talentos e sonhos, e não criar divisões que segregam e excluem.
Queremos contemplar a espiritualidade além das religiões.


A educação como um ato político, emancipador, que estimula o pensamento crítico e não
reproduz padrões que já não funcionam. Uma educação para o desenvolvimento integral,
de pessoas que rumam à felicidade a partir do olhar sensível para a realidade. Pelo conhecimento criado através de uma ecologia de saberes, construído de forma
colaborativa e que promova as potencialidades humanas nos planos ético, estético e da
ação solidária.

Estimular a criatividade humana, não para a busca obsessiva da inovação técnica
voltada à acumulação econômica e do poder militar, mas para o bem-estar coletivo, a
realização das potencialidades das pessoas e das comunidades vivendo solidariamente.

 

Como inspiração e exemplo para esta nova economia, temos São Francisco e Santa
Clara de Assis. Saíram do Centro para a periferia, escutando os invisibilizados. Do mesmo
modo, do Centro da Igreja de Roma, Papa Francisco realiza um movimento histórico de
abertura e acolhida, incluindo os silenciados do mundo para pensar hoje a economia do
amanhã.


É a partir de nossos territórios e vivências, com comunhão e sensibilidade, que
caminhamos. Somos muitas vozes e mãos. Somos gentes, no plural, e queremos superar os
silenciamentos e invisibilidades do sul, dos periferias do mundo, dos marginalizados e
marginalizadas.


Estamos aqui para atender ao chamado do Papa Francisco: queremos fazer das nossas
universidades, das nossas empresas, das nossas organizações, canteiros de esperança
para construir outros modos de entender a economia e o progresso, para combater a
cultura do descarte, criar novos modos de viver em comunhão e construir a fraternidade
universal.


Nós, brasileiras e brasileiros, povos originários e imigrantes deste território chamado
Brasil, buscamos honrar nossas diversas origens, nossas riquezas culturais, nossos saberes,
nossas histórias plurais e ancestralidades. Por isso a importância de estarmos engajados
na construção de um futuro digno para as próximas gerações. Queremos cuidar das
nossas casas, nossas ruas, nossas comunidades, nossas crianças, nossas florestas, de
nossa história, para construir juntos a economia da fraternidade a partir do Brasil e da
América Latina.


O desafio que temos pela frente é nada menos do que mudar o curso da civilização, da
acumulação imediatista baseada na competição e no consumismo para a busca do bem
viver, do exercício da liberdade e da cooperação entre os povos.


Essa é tarefa a maior a cumprir: direcionar a ação política para um novo tipo de
desenvolvimento, desfrutado por todos os povos e capaz de preservar o equilíbrio
ecológico. O nó histórico do subdesenvolvimento deve ser desatado, e superada a
reprodução dos padrões de consumo de minorias ricas para garantir satisfação das
necessidades fundamentais de todos os seres.


Como escreveu Darcy Ribeiro:

Estamos nos construindo na luta para florescer amanhã
como uma nova civilização, mestiça e tropical, orgulhosa de si mesma. Mais alegre, porque
mais sofrida. Melhor, porque incorpora em si mais humanidades. Mais generosa, porque
aberta à convivência com todas as raças e todas as culturas e porque assentada na mais
bela e luminosa província da Terra.

Redação GT Comunicação

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