Encontro Nacional para a Economia de Francisco – Dia 2

Texto escrito por: Isabel Gnaccarini – Jornalista e doutoranda em Ambiente e Sociedade no IFCH – Unicamp

ABERTURA: A escola do encontro do papa Francisco

“O pacto educativo está quebrado” (ou estragado, na tradução do italiano), vaticina o papa Francisco em um vídeo que circulou no Encontro Nacional pela Economia de Francisco – no evento brasileiro ocorrido nos dias 18 e 19 de novembro de 2019 no Tucarena, o teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o vídeo foi comentado por Enrique Palmeyro, diretor mundial do Programa Pontifício Scholas Occurrentes. O argentino abriu o segundo e último dia de discussões do evento com a palestra “Pacto Educativo e a Economia de Francisco”; ele veio a São Paulo como representante do papa católico.

Pacto Educativo e a Economia de Francisco

Segundo Enrique Palmeyro, essa nova economia inspirada em São Francisco de Assis “não acontecerá se não houver uma educação para tanto”. É disso, aliás que trata o referido pacto educativo, um dos três eixos de trabalho do papa para o ano de 2020. Para o diretor do projeto Scholas Occurrentes, com sede na Argentina, pais, alunos e educadores deverão se envolver nesse pacto, cuja base lapidar é a de uma educação construída não em linha única, “mas o formato de poliedro”. Esse formato permite “integrar o pensar, o sentir e o agir”, possibilitando a cada jovem estudante manter suas peculiaridades, sem preconceitos, podendo transformar o conhecimento adquirido em sonhos.

 

A educação proposta no bojo da “Economia de Francisco” trata de pensar um mundo novo, em que cada cultura tenha sua identidade impressa como uma “utopia de um povo”. Enrique Palmeyro falou de utopia “no sentido de uma cultura do encontro”, pois para ele é a diversidade de culturas, com uma educação que “não deve buscar a homogeneidade, mas alcançar a harmonia”, o fundamental para a mudança.

 

As escolas sociais, como também são chamadas as Scholas Ocurrentes, se articulam em uma plataforma mundial, cuja missão é justamente a de desenvolver a cultura do encontro de modo a compartilhar as diferenças. O método da educação é o de interligar cabeça, coração e mãos, possibilitando ao jovem unir inteligência racional à emoção na hora do fazer. Essa educação nova é, nas palavras do papa Francisco, uma escola “caso a caso”, “corpo a corpo”.  Dentre as variantes educativas, há as escolas de esporte, que trabalham com valores coletivos: “sozinho não se pode jogar”; “a cada gol, ganha a equipe”, enfatizou ele. Mas também há as escolas ecológicas Laudato Si’, que buscam incentivar “o cuidado da casa comum” para superar o paradigma tecnocrata; e as escolas de tecnologia, nas quais “os jovens não são percebidos como o futuro da humanidade, mas como o seu presente – a juventude têm uma criatividade avançada”, diz ele. Dispersas pelo mundo, essas escolas se reúnem de tempos em tempos em congressos, nos cinco continentes, para trocar experiências e ideias – “não para apresentar artigos acadêmicos”, brinca Enrique.

O encontro pela Economia de Francisco

Enfim, para além de uma construção educativa visando um novo pacto internacional, a convocação mais instigante se faz agora: o papa Francisco convoca os jovens para pensarem juntos a nova Economia. Essa proposta teve início com o encontro entre o papa e o economista Joseph Stiglitz[1], Prêmio Nobel de Economia de 2001, juntamente com A. Michael Spence e George A. Akerlof, pelos fundamentos da “teoria dos mercados com informações assimétricas”. Na base da Economia de Francisco devem coexistir propostas diversas: de economia cooperativa, socialista, capitalista de mercado social, entre outros modelos. A visão é a de que essa economia possa ter várias perspectivas, porém com o objetivo principal de construir relações fraternas que levem a uma cultura em que haja lugar para todos. E a educação tenha currículos diferentes das escolas tradicionais, ou seja, possa desconstruir o atual modelo até aqui calcado apenas na gestão financeira.

 

O comitê de organização do evento “The Economy of Francesco teve como diretor científico Luigino Bruni, sob comando do bispo e do prefeito da municipalidade de Assis. Ele coordenou cerca de 3 mil jovens vindos de 120 países. Do Brasil, são cerca de 280 jovens, divididos em estudantes, profissionais e ativistas.

Encontro Nacional para a Economia de Francisco

Realização Articulação Brasileira para a Economia de Francisco e Clara (ABEFC)

Quando: 18 e 19 de novembro de 2019

Das 14h às 21h (18/11) e 9h às 21h (19/11)

Onde: TUCARENA – PUC SP (R. Monte Alegre, 1024 – Perdizes, São Paulo)

[1] Estadunidense, Stiglitz foi presidente do Conselho de Assessores Econômicos (Council of Economic Advisers) no governo do Presidente Bill Clinton (1995-1997), vice-Presidente Sênior para Políticas de Desenvolvimento do Banco Mundial, onde se tornou o seu economista chefe. O economista defende a nacionalização dos bancos americanos, e é membro da Comissão Socialista Internacional de Questões Financeiras Globais.

Redação GT Comunicação

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